quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fugindo da Síndrome do PETER PAN




Durante algumas gerações, a historinha do Peter Pan foi conhecida e apreciada como um clássico infantil de boa qualidade. Lembro-me de ter lido muitas vezes em minha infância e depois de contá-la para meus filhos pequenos. Na época, penso que ninguém podia imaginar a sutileza que havia por trás de um lindo conto de fadas.
Contudo, o exemplo do garoto que não queria crescer e que apenas queria se divertir, passou a ser o desejo de muitos adolescentes e adultos da nossa geração. O mundo atual está repleto de pessoas com corpos de adultos e uma estrutura emocional e mental juvenil. Decidiram interromper o crescimento normal para permanecerem garotinhos e garotinhas, só relacionando-se com pessoas mais jovens, cultivando conversas infantis ou inúteis, sem querer assumir compromissos e responsabilidades. Não respeitam as autoridades, por isso, não param nos empregos e sentem-se os únicos donos do seu próprio nariz para fazer aquilo que querem na hora que desejam, mesmo que corram risco de morte. Infelizmente, a maioria deste grupo é de pessoas dependentes dos pais a vida toda (financeiramente ou emocionalmente) para que, desta forma, possam se divertir com amigos em baladas, barzinhos, bebidas, drogas, viagens, ou então, para não fazer nada.
Entretanto, o que poucos sabem, é que a escolha do personagem Peter Pan o deixa defeituoso, antipático, anti-herói e até repelente. Diferente dos outros meninos, que decidiram voltar para casa com Wendy e serem adotados pelos pais dela, Peter não aceitou. Ele não queria  frequentar a escola, ter de trabalhar e parar de brincar como sempre fez. Escolheu, portanto, voltar sozinho para a Terra do Nunca. Na vida real, os resultados não são diferentes, os consultórios psiquiátricos estão cheios de pessoas normais com a síndrome do Peter Pan, tratando as consequências desastrosas e muitas vezes irreversíveis das escolhas infantis que fizeram ainda jovens.
Em nossa vida cristã também podemos ser infectados com essa síndrome terrível quando nos deixamos influenciar pelo modelo acomodado do materialismo desse mundo, sem levar a sério nosso compromisso com Cristo. Nosso contentamento está em apenas ouvir bons sermões aos domingos, fazer boas leituras, ter bons relacionamentos, assistir bons filmes, ouvir boas músicas, ter bons papos, frequentar bons restaurantes, fazer boas viagens com a família ou amigos, usar boas roupas de grifes famosas, enfim, buscamos apenas entretenimentos que nos dão algum tipo de prazer e rejeitamos qualquer tipo de responsabilidade com o reino de Deus e com o corpo de Cristo, que acabam requerendo nosso tempo, dinheiro, ou até mesmo algum sacrifício abnegado.
  Será que esse é o estilo de vida que devemos ter como cristãs que dizem amar a Deus de todo o coração? Todas essas coisas mencionadas são bênçãos de Deus e alegram o coração, mas a nossa vida não deve girar em torno delas domingo após domingo, sem sentirmos um desejo crescente de pensar nas coisas do alto, onde Cristo está. Temos um modelo de maturidade e de crescimento a ser imitado que é do autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2). Ele teve alegrias e bênçãos aqui na terra, mas não as trocou, em nenhum momento, pelo compromisso que tinha com o reino de Deus, ainda que isso fosse levá-lo ao sofrimento e sofrimento de cruz. Ele disse: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo.4.34).
 Alguns sinais são evidenciados quando estamos crescendo de acordo com  J.L.Packer em seu livro “A descoberta da santidade”. O primeiro deles é um contentamento crescente em louvar a Deus, com um descontentamento crescente diante do louvor dado a si mesmo. O salmista clama: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl115.1)
O segundo sinal é um desejo crescente pela bondade e doação e um evidente desprazer por si próprio. Jesus foi bondoso e entregou-se sem limites durante todo o ministério. Na agonia da cruz, Ele orou para que seus executores fossem perdoados (Lc 23.24); pensou em sua mãe, deixando João encarregado de cuidar dela (Jo 19.26,27) e preocupou-se com o ladrão arrependido, prometendo-lhe salvação (Lc 23.43).
O terceiro sinal é uma paixão pela justiça pessoal, com grande desprazer diante da impureza e imoralidade do mundo ao redor. É quando o cristão mostra uma profunda dor por Deus estar sendo desonrando e provocado, quando alguém ou ele mesmo tem comportamento abominável.
O quarto sinal é um zelo crescente pela causa divina, tendo maior disposição de posicionar-se firmemente para vê-la avançando. Davi escreveu: “Bendito seja Deus, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha” (Sl1 44.11). É estar pronto para ser posto na linha da frente da causa divina sem medir esforços.
O quinto sinal é ter muita paciência e boa vontade em esperar em Deus e submeter-se à sua vontade, exercendo uma maneira adulta de petição, modelada pelo exemplo de Jesus no Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. É reconhecer e aprender com humildade e coragem que tudo que Deus faz é o melhor.
Querida amiga, fomos chamadas para crescer e não para interromper nosso crescimento a exemplo do personagem “Peter Pan”. Que sinais estão sendo mais evidenciados em nossas vidas? Que pensamentos são mais frequentes? De maturidade cristã ou de preguiça e infantilidade mundana? Caso queiramos fugir da síndrome de Peter Pan, temos de seguir o exemplo de humildade e submissão que Jesus nos ensinou, fazendo em tudo a vontade do Pai.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Crescendo para Baixo ( Parte 2)

          Na postagem anterior, vimos que é por meio da pequenez pessoal (humildade = baixo) que a grandeza de Cristo aparece em nossas vidas, isto é, quando diminuímos, crescemos (Pv. 16:18). O apóstolo Pedro também nos mostra que esse crescimento é uma ordem e não uma opção: “Antes, crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe.3:18). Para que obedeçamos esta ordem, é necessário um contínuo arrependimento, um estilo de vida disciplinado.
          Lutero sabia dessa verdade ao declarar em sua primeira tese das 95 colocadas na porta da igreja de Wittenberg em 1517: “Quando nosso Senhor e mestre Jesus Cristo disse “arrependei-vos”(Mt. 4:17), Ele desejava que toda a vida do cristão fosse marcada pelo arrependimento.” É semelhante a uma estrada que tem um sistema de drenagem falho: quando há uma chuva forte, logo ela fica suja, inundada e intransitável. Somente por meio do arrependimento constante e profundo, 
é possível manter a saúde da alma.
         Por isso, o arrependimento deve ser a drenagem diária da estrada que Deus nos chama a percorrer. Ele é vital para limpar a sujeira parada e os detritos de pecados que tornam nosso crescimento estagnado ou interrompido. Você deve estar se pergutando: ”O que é, então, arrependimento? Como acontece?” Bem, de modo nenhum é algo automático ou mecânico, como as regras para dirigir um carro. Arrependimento significa renunciar o mau comportamento que está prejudicando nossa vida com Cristo. Na Bíblia, o termo significa “desviar” ou “retornar”; mudar verdadeiramente os hábitos, pensamentos, atitudes, pontos de vistas, posturas inadequadas e seguir o caminho certo.  
        O arrependimento é fruto da fé, que é um dom de Deus, sendo possível e real somente para os cristãos libertos do pecado e vivificados para e por Deus (At.11:18).
       O processo de drenagem do arrependimento pode ser analisado pelas etapas a seguir:
       Reconhecimento verdadeiro da desobediência a Deus por ter escolhido o errado ao invés do certo. Trata-se de não fazer o jogo de fingir que “nada aconteceu”, ou de “dar desculpas”. Como exemplo, temos Davi que ao adulterar com Bate-Seba, usou seu privilégio real como desculpa para o pecado. Desta forma, Davi não se culpou por mais de nove meses, até que o profeta Natã o repreendeu e o fez compreender que seu ato tinha ofendido a Deus: ”Tu és o homem!”  (II Reis 5:18 ). Esta consciência foi, e é, a semente que germina em arrependimento. Ela não cresce de outra forma, ainda que os especialistas a chamem de “negação”, a Bíblia a classifica como “autoengano” e “convicção do pecado” (Tg. 1:22; 5:16, I Jo 1:18;16:8).
       Um profundo remorso pela desonra causada a Deus e ao próximo – esta é a marca do coração contrito (Sl.51:17; Is. 57:15). Foi o que ocorreu com Davi (Sl. 51:1-4; 15-17) e o filho pródigo, da parábola contada por Jesus. Houve uma profunda tristeza demonstrada ao entenderem que insultaram a bondade e o amor de Deus quando decidiram  errar.

       Pedido reverente pelo perdão divino, purificação da consciência e ajuda para não falhar mais na mesma área. A oração penitente de Davi é um exemplo para nós (Sl 51:7-12), pois demonstra o exercício da fé em Deus, que gera uma real restauração. Jesus ensina qual deve ser a nossa oração: “Perdoa os nossos pecados (...) e não nos deixe cair em tentação” (Lc. 11:4).
      Resoluta renúncia dos erros cometidos em pensamentos e ações para manter-se limpo na maneira de viver. João Batista disse para a elite religiosa: ”Produzi, pois, frutos de arrependimentos”(Mt. 3:8), chamando-os para uma mudança de direção.
       Restituição à pessoa que tenha sofrido perdas materiais e emocionais em virtude de erros cometidos. Zaqueu, o cobrador de impostos, ao tornar-se discípulo de Jesus, retribuiu quatro vezes mais por cada ato de extorsão cometido. Esse é o preço do discipulado!
    
       Querida amiga, como  está sua estrada de santidade? 

     O meu desejo é que ela esteja desimpedida, sem as sujeiras paradas da cobiça, ciúme, inveja, ira, egoísmo, lascívia, maledicência, orgulho, vaidade, impureza, mentira, desobediência aos pais, indignação, más companhias, insubmissão ao marido e autoridades, etc....  do contrário, elas bloquearão o sistema de drenagem e interromperão o seu crescimento espiritual e comunhão com Deus.
     Lembre-se que temos um Deus misericordioso, que está de braços abertos esperando ouvir nosso clamor contrito de perdão e arrependimento (Ap.3:10). 
Fonte: livro A Redescoberta da Santidade de J.I. Packer

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Crescendo para baixo

Dizem que não é muito bom escrever ou ler no carro em movimento, mas neste exato momento estou com minha família voltando das abençoadas férias em Santa Catarina e Serra Gaúcha. Agradeço a Deus pela mordomia imerecida. Foram 17 dias sem fazer comida, limpar a casa, dirigir o carro, lavar roupa e etc. Só posso dizer ao Senhor: "Obrigada, de coração!"

Em Eclesiastes 3, o rei Salomão nos lembra: "há tempo de descansar e tempo de trabalhar". Tenho que ser grata a Deus pelo descanso que  me deu durante esse tempo e agora também pelos desafios que virão na volta para rotina de trabalho e ministério. Certamente, assim como Deus supriu tudo até aqui, continuará suprindo em São Paulo.

 Aproveitei o tempo para ler bastante a Bíblia e alguns livros cristãos que sempre me edificam e me ajudam no crescimento da vida espiritual. Vou aqui ressaltar em especial uma parte do livro de J. I. Packer “A Redescoberta da Santidade”. É um chamado importante à verdadeira santidade de Deus.

 Quando nossos filhos eram pequenos costumávamos marcar a altura deles no azulejo do banheiro para vermos os centímetros que eles cresciam a cada mês. Packer, o autor do livro, mostra biblicamente que em nossa vida cristã quando isso acontece é um mau sinal. 

Sem dúvida é estranho pensarmos num crescimento para baixo numa cultura onde só é bem sucedido aquele que está em ascendência em todos os aspectos da vida. Entretanto esse é o padrão humano e não podemos nos conformar a ele como vemos em Rm.12:2: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus".

"Só crescemos em direção a Cristo quando diminuímos. (humildade, do latim humilis, significa “baixo”). Sendo assim nós cristãos podemos dizer que crescemos quando ficamos pequenos. O profeta de Deus, João Batista, falando sobre seu próprio ministério disse: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (Jo. 3:30). “O orgulho nos infla como balões, mas a graça perfura a nossa vaidade e faz com que o ar quente dela, saia do nosso sistema. O resultado é que diminuímos e passamos a nos ver menores - menos inteligentes, menos competentes, menos fortes, menos preparados, menos comprometidos, e assim por diante. Paramos de falar para nós mesmos que somos de grande importância para o mundo e para Deus. Passamos a aceitar o fato de que somos dispensáveis e insignificantes”.

Ao trocarmos a fantasia da competência por confiança, obediência, dependência, paciência, em um relacionamento mais íntimo com Deus, abrimos mão de sermos admirados por fazer tudo maravilhosamente bem e passamos a reconhecer que, de acordo com o mundo, não temos probabilidade de parecer ou ser bem sucedidos. Submetemos a Deus nossas fraquezas na tentativa de conseguirmos forças para vencê-las.

James Denney, um estudioso escocês, disse certa vez que “é impossível deixar ao mesmo tempo a impressão de que sou um grande pregador e Jesus Cristo um grande Salvador. Da mesma forma, é impossível deixar, ao mesmo tempo, a impressão de que sou um grande cristão e Jesus Cristo um grande Mestre". "Portanto, o cristão deve fazer de sua atitude de diminuição uma prática, de modo que nele e por meio dele, o Salvador possa mostrar-se grande. Isto é o que quero dizer com crescer para baixo". (J. I. Packer).

Amigas, sou imensamente grata a Deus por me lembrar dessas verdades durante o tempo de férias. Se queremos crescer com Deus temos que diminuir e deixar a graça Dele perfurar a vaidade do nosso coração para que o orgulho saia. Temos que reconhecer o quanto somos fracas e desesperadamente dependentes de Deus  para diminuir e Cristo crescer em nossas vidas.


No próximo artigo continuaremos “Crescendo para baixo: parte II".

Fonte: Livro "A Redescoberta da Santidade", J.L. Packer

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Ano Novo Com Novos Alvos

Estamos para receber do Senhor um Ano Novo com muita expectativa e esperança. É sempre um desafio e uma boa oportunidade para abandonarmos as coisas velhas da nossa natureza terrena e nos revestirmos das coisas novas da palavra de Deus. (Col.3:5-17)
É hora também de planejarmos as metas que queremos alcançar em 2012. É certo que nem sempre nos sentimos encorajadas ao revermos as metas antigas que foram quebradas ao longo dos anos, mas, temos que esquecer o que ficou para trás e prosseguir para o que está adiante de nós. Fil.3:13,14
Graças a Deus tenho o privilégio de ter um marido que é engenheiro de planejamento e nesse assunto ele é expert. Em nossa casa, sempre separamos um tempo com os filhos no primeiro dia do ano para fazermos juntos os alvos da família e depois, cada um separado, os seus alvos individuais.
É claro que não conseguimos cumprir todos os alvos ou mantê-los, mas, quando olhamos para trás, vemos que valeu muito a pena criarmos esse hábito, e, ensiná-los aos filhos desde pequenos. Os resultados são surpreendentes!!!
É importante pedirmos a Deus para que a nossa motivação, não seja nos gloriar ou chamar a atenção para nós e sim para que Ele seja honrado e glorificado em tudo. 1 Cor. 10 :31
Na Bíblia vemos alvos de Deus para nós mulheres que podem ser incluídos em nossas metas para 2012.
  •   Ter o nosso tempo devocional diário com estudo da palavra de Deus, uma lista de oração e versículos para decorar.
  • Auxiliar nosso marido e filhos em suas necessidades físicas e espirituais;
  •  Cuidar para que nossa casa seja um lugar aconchegante para nossa família, sempre suprida de alimentos gostosos e roupas limpinhas.
  •  Manter a saúde e o corpo com exercícios físicos e assim ficar mais bonita para o nosso marido. Planejar momentos a sós com ele longe dos filhos.
  •  Separar um tempo de lazer e de férias com os filhos.
  •  Leituras de livros cristãos para a edificação, fazer artesanatos, curso de línguas, etc..
  • Visitar e ajudar nas necessidades dos doentes, oprimidos, pobres e aflitos ao nosso redor, repartindo com eles o muito que Deus tem nos dado.
  •  Congregarmos sempre com nossos irmãos em Cristo, desenvolvendo nossos dons e talentos para o crescimento mútuo.
  • Evangelizar e fazer discípulas de Jesus ensinando-as a obedecer todas as coisas que Jesus disse em sua palavra.
Querida amiga, esses são apenas alguns exemplos que podem ser adaptados para a realidade de vida de cada uma de nós. O mais importante é que a nossa dependência esteja em Deus para o cumprimento de cada alvo e o nosso objetivo seja sempre o crescimento espiritual, o amor sacrificial ao próximo e o aperfeiçoamento do nosso caráter à semelhança do caráter de Cristo.
Agradeço a Deus pelo privilégio que me deu durante todo este ano de compartilhar as verdades da sua Palavra e assim alcançar uma de minhas metas que fiz no inicio deste ano que está terminando.
Desejo um Feliz 2012 com Novos alvos Para Glória de Deus a todas que acompanharam os artigos aqui postados em 2011.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Regra de Ouro


Ufa... Esse ano passou muito rápido e já chegamos em Dezembro! Mês de correria nas ruas das cidades, o trânsito caótico e, como disse uma moça em entrervista para um jornal da televisâo, "parece que o mundo vai acabar para algumas pessoas"!
                É verdade! O lado bom é que o ser humano parece ficar mais sensível e bondoso nesta época, esquecendo as diferenças e mágoas (pelo menos por um tempo), procurando investir o salário em presentes generosos para serem trocados no dia de Natal com familiares e amigos. Alguns adotam crianças dos abrigos para presenteá-las ou para levá-las para casa no natal. É gratificante, eu mesmo já fiz isso!
  Pensar no próximo é sempre louvável . Nosso mestre Jesus  disse que é melhor dar do que receber. Entretanto, fazer isso só em alguns momentos no mês de dezembro pode ser chamado de amor ao próximo como Ele nos ensinou? Isso me chama a atenção para o texto de Mateus 7:12, em que tenho meditado nos últimos dias: “Tudo quanto, pois quereis que os homens vos façam, assim, fazei-o vós também a eles porque esta é a Lei e os profetas.”
Encontramos no judaísmo e no hinduísmo essa mesma regra  mas de forma negativa: “Não façam aos outros o que não quereis que eles vos façam”. Jesus, porém foi além e declarou a Lei de Ouro de forma positiva, nos chamando a imitar o seu amor e a sua bondade, não apenas em momentos festivos ou que nos sejam confortáveis, mas como o estilo de vida de um discípulo Dele.
Antes um pouco do verso 7, Ele nos ordena amar os inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam, bendizer os que nos maldizem e orar pelos que nos caluniam. E logo depois, Jesus diz que se amarmos e fizermos o bem aos que nos amam qual é a nossa recompensa? Os pecadores fazem o mesmo!  A grande diferença e que nos faz sermos chamados filhos do Altíssimo é quando amamos nossos inimigos e fazemos o bem sem esperar nenhuma paga, ainda que para os ingratos e maus. 
Jesus compreendeu a natureza pecaminosa que temos de pensar primeiro em nós mesmos e em apenas uma frase deu a chave que nos leva a uma bondade abundante. No sermão do Monte Jesus está ensinando aos seus discípulos como deviam se comportar no dia a dia. Não falou essas verdades para a multidão que o seguia, pois sabia que somente com o poder do Espírito Santo essa regra poderia ser cumprida. O homem sem Deus não consegue praticá-la.
Talvez você como eu, esteja se perguntando: como por em prática essa regra  no meu lar, no trabalho, na igreja, no trânsito, na fila do banco e em todos os lugares por onde ando? A resposta também está no evangelho de Mateus, no capítulo 22: 37 a 39, onde encontramos o maior de todos os mandamentos: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo seu coração” e em seguida com a mesma importância “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  O segredo está em observar a seqüência bíblica. Não podemos começar pensando no próximo em primeiro lugar e sim em Deus. É impossível amar alguém como a si mesmo sem estar amando a Deus antes.
À medida que conhecemos a sua santidade, o seu poder e à sua força como o Criador, temos que nos humilhar diante de tanta Glória e Soberania. Só Ele é digno de ser louvado, nós somos apenas um grão de pó na balança (Isaías 40:15).
O conhecimento de Deus nos humilha até o ponto de nos vermos como indignos, miseráveis, imundos, sem direito a nada nessa vida. Por outro lado, ele nos ajuda a olharmos o nosso próximo com misericórdia e ainda que ele não mereça, podemos amá-lo da mesma forma que somos amados por Deus.
Desejamos ser representantes de Cristo aqui na terra? Temos que amar sacrificialmente como Ele no amou. Isso vai requerer abnegação (sacrifício desinteressado e desprendido), domínio do orgulho e da vaidade e uma sensibilidade com as necessidades dos outros antes das nossas.
Mas, e aqueles que decidem rejeitar a Deus e não querem que façamos a eles o mesmo que gostaríamos que fizessem a nós?
John Stott em seu livro Contra Cultura Cristã termina seu comentário sobre a Regra de Ouro dizendo: “quanto àqueles que estão fora da família (vs. 6), há o caso extremo dos cães e dos porcos, mas não são típicos. Há um grupo excepcional de pessoas obstinadas que se comportam como cães e porcos, poderíamos dizer em sua rejeição decisiva a Jesus Cristo. Relutantemente temos que abandoná-los”.
“Assim como no verso 6 temos uma exceção, o verso 12 é uma regra áurea de vida. Ela transforma nossas atitudes. Se nos colocarmos no lugar da outra pessoa que está a nossa frente, jamais seremos maus ou maldosos, porém sempre generosos, jamais grosseiros, mas amáveis, jamais cruéis, mas sempre bondosos”. Não só no Natal, mas todos os dias de nossa vida!
Querida amiga, decidi estudar e escrever sobre esse tema por reconhecer uma enorme dificuldade que tenho em obedecer à regra de ouro de Jesus. O desejo de pagar o mal com o mal, atitudes de vingança, amargura, ira e desprezo muitas vezes predominam em meu coração. Necessito sempre lembrá-la!  
Se você também sente a mesma dificuldade, faça uma lista de tudo quanto gostaria que os outros falassem ou fizessem para você e comece praticando com os que estão mais próximos. É apenas um plano de ação, mas se aplicado biblicamente, passará também a ser sua regra de vida durante o ano todo.