sexta-feira, 1 de março de 2013

Casamento: dom de Deus



Casamento: dom de Deus

Nos seis meses que passaram, priorizei os preparativos do casamento do nosso filho mais velho, que ocorreu no primeiro sábado de fevereiro. Ele e sua noiva tinham tantas coisas para pensar e para decidir durante um ano, que não podíamos, como pais do noivo, de forma alguma deixar de ajudá-los em tudo o que precisassem, nem que fosse só para estar ao lado deles nos momentos difíceis, quando as coisas saíam diferente do planejado. Foi um tempo único que tivemos como família e por isso valeu a pena todo o esforço e dedicação para aliviar o peso das tensões que normalmente os noivos sofrem, para que eles não desfalecessem no percurso.
Num período de um ano e cinco meses, nossos dois filhos homens casaram e neste intervalo, ganhamos um lindo netinho como presente de Deus. Grandes mudanças ocorreram em nossa família em pouco tempo, mas louvamos ao Senhor, porque todas elas fazem parte do seu maravilhoso plano para nós e para eles.
Quando meus filhos eram pequenos, ouvia sempre de uma amiga muito querida, que hoje já está com o Senhor, a seguinte afirmação: “Lilian, não existe adolescente crente, só aborrecentes”. Eu confesso que ficava um pouco atormentada com essas palavras e não conseguia concordar com ela. Na época, eu tinha em casa dois filhos meninos ainda crianças, que tinham entendido e aceitado a mensagem do evangelho com quatro aninhos e já amavam a Deus e a sua palavra com temor a Ele em seus corações.
Hoje posso afirmar que realmente, Tiago e Filipe, pela graça de Deus, não fizeram parte dessa estatística da minha amiga. Eles foram adolescentes crentes, sim! Eles brincavam, estudavam, jogavam futebol e por onde passavam, deixavam as marcas de Jesus e impactavam muitas vidas com a mensagem do evangelho. Em vez de serem influenciados, eles influenciavam e ganharam vários colegas para Jesus, dando continuidade por meio de discipulados, podendo hoje, terem o privilégio de congregarem na mesma igreja que muitos deles. As suas vidas foram marcadas pela alegria da salvação, pelo o amor ao próximo, pela obediência a Deus e aos pais em tudo, e também pela submissão a toda autoridade instituída na vida deles, como: os professores, diretores, liderança da igreja local que congregávamos, pois sabiam que as autoridades eram colocadas por Deus sobre eles e por isso tinham que sempre obedecê-las. Além disso, eles também souberam desenvolver com excelência o dom de estarem solteiros servindo ao corpo de Cristo de diversas formas.
Tiago foi chamado por Deus aos onze anos para servi-lo de tempo integral, depois de assistir o filme “Atrás do Sol” em uma reunião de juniores da igreja. Quando chegou em casa, ele nos chamou e disse: “Pai, mãe, quero ir pregar o evangelho de Jesus aos mulçumanos”. Achamos que pudesse ser uma decisão emocional, mas ficamos muito felizes com a sua disposição. Passaram-se os anos e Deus foi confirmando o seu chamado até que, aos 17 anos, ele foi para o Seminário Bíblico Palavra da Vida e fez o curso de bacharelado em Teologia (cinco anos). Logo depois, foi ordenado pastor de uma igreja batista em São Paulo, mas ele continuou se dedicando ao estudo da Palavra de Deus e, hoje, com 28 anos, tem dois diplomas de mestrado em teologia, sendo também professor de línguas originais e de vários outros temas.
Filipe foi chamado para servir ao Senhor nas escolas que frequentou até passar para a Escola Técnica Estadual e depois na USP, onde fez o curso de Engenharia. Durante cinco anos, morou na cidade de São Carlos e enfrentou todos os desafios de estar longe da família e no meio de jovens que vão para a universidade com o objetivo de, além de estudar, se entregarem a toda sorte de prazeres da carne. Enquanto ainda estávamos na fila da inscrição, Deus nos fez conhecer a esposa do pastor de uma igreja da cidade, que nos levou para passar a noite em sua casa e abriu as portas para que o Filipe pudesse alugar um apartamento com outros jovens cristãos, dando início a uma república, em que apenas um jovem não era cristão, sendo depois evangelizado por eles. Durante o tempo que permaneceu fora de casa, ele obedeceu a Deus e a nós pais em tudo, continuou seu ministério como ministro de música em nossa igreja em São Paulo, vindo todos os finais de semana. Começou também uma célula de estudos bíblicos abertos para outros jovens, participou do grupo da ABU semanal, levando mensagens sobre o evangelho de Cristo a seus amigos de sala. No penúltimo ano de faculdade, ele ganhou uma bolsa para estudar na Alemanha, onde morou oito meses e estudou alemão. Lá, conheceu muitos irmãos em Cristo de outros países e participou de uma igreja em que o pastor e a esposa são americanos, podendo ser discipulado, treinar o inglês e servir ao Senhor com seus talentos e dons naquele corpo de Cristo local. Sou testemunha do amor que ele sempre teve pelo reino de Deus e como desenvolveu o dom de estar solteiro com prioridade em sua vida e para o bem dos outros.
O apostolo Paulo diz, em 1 Cor.7:32,  que o solteiro cuida das coisas do Senhor, em como agradá-lo, e foi exatamente isso o que tanto o Tiago como o Filipe fizeram enquanto estavam solteiros. Agora, Deus achou por bem mudar a realidade de suas vidas de uma maneira muito especial. Não vou contar como conheceram suas lindas noivas tementes a Deus, mas assim como eles, elas se guardaram virgens até o dia do casamento. Certamente, não foi uma coisa fácil, mas pelo poder de Deus, e com a ajuda dos pais e conselheiros na prestação de contas no namoro, eles esperaram o casamento e a lua de mel, para se entregarem e descobrirem as delícias do amor conjugal criado por Deus.
O casamento, diferente do que muitos pensam, é um dom de Deus para sua glória. Digo isto porque está escrito na Bíblia; não pode ser considerado um lugar em que haja espaço para exibicionismo, satisfação de desejos egoístas e ostentação. É um compromisso que tem de durar a vida toda, até que a morte os separe. Eles sabem que terão de amar suas esposas como Cristo amou sua igreja e se entregou por ela. As esposas também já aprenderam que precisarão respeitá-los como maridos, submetendo-se a eles como a igreja se submete a Cristo em tudo. E cada um com seu dom, permanecerão contribuindo para que o reino de Deus cresça aqui na terra, tendo comunhão com o corpo de Cristo.
Querida amiga, o testemunho desses jovens  tem como único objetivo encorajar outros adolescentes e jovens a levarem a sério sua  vida com Deus, não dando desculpas para amar e viver no mundo. Se você é solteira, é para Deus que deve viver e não para aproveitar seu tempo de sobra, buscando um casamento para se sentir realizada e feliz. Descanse, pois o dia que Deus quiser mudar sua realidade de vida, Ele lhe dará um noivo temente à Sua Palavra para que juntos possam glorificá-lo. Enquanto espera, dedique-se a conhecer a Deus e a sua vontade, crescendo na maturidade espiritual através do estudo diário da Palavra de Deus e da oração. Se você é casada, é ao marido que deve agradar e se submeter, colocando os deveres de casa como prioridade em sua vida e os interesses dele acima dos seus. Quando Deus nos concede o dom do casamento é porque deseja nos usar de modo especial como auxiliadoras do marido, para que ele seja bem sucedido e respeitado em seu trabalho como provedor e  lider do lar e em seu ministerio na igreja local.

sábado, 8 de setembro de 2012

Combatendo o mundanismo


Antes de qualquer coisa, é válido definirmos: o que é mundanismo? Com ampla base nas Escrituras, podemos dizer que mundanismo é a natureza humana sem Deus, sendo governada pelo deus deste século. Ou seja, aqueles que amam este mundo são controlados por interesses mundanos, como: a busca por prazer, poder, sucesso, conforto e tudo o que este mundo pode oferecer.
Certa vez, Jesus falando à multidão disse-lhes: “Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai do homem é o que o contamina. Porque de dentro do coração dos homens é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, mentira, a soberba, a loucura” (Mc.7.15,20,21). Apesar de já nascermos com a semente do pecado, herdada de Adão, o apóstolo João nos dá esperança de vitória sobre essa grande desvantagem. Ele diz: “todo o que é nascido de Deus vence o mundo”. MAS, o que significa “vencer o mundo”?
Algumas pessoas acreditam que só é possível ganhar a luta com isolamento ou fugindo do mundo, como um soldado que evita o sofrimento e foge da batalha, ou como os monges, que se retiram para seus mosteiros. Entendo que o apóstolo, no texto mencionado anteriormente, está nos encorajando a vivermos no mundo, sem fugir dele, mas também sem permitir que o mundo viva em nosso coração, em nossa maneira de pensar, falar e agir. Assim como Jesus orou ao Pai pelos seus discípulos, ele não pediu que os tirasse do mundo, mas que os livrasse do mal (desse mundo), nós também devemos permanecer nele.
O amor e temor a Deus e ao mundo é incompatível (“Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.”1Jo.2.15-17). Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer um e amar o outro, ou terá devoção por um e desprezará o outro (Lc 16.13). O abandono da fé em Cristo e do caminho de santidade começa no coração, quando desprezamos as verdades de Deus pelas mentiras e enganos que o mundo nos oferece. Lembre-se: “a nossa vontade se inclina de acordo com o que amamos”.
Apenas um único sentimento deve governar nossas vidas: uma paixão santa por Deus e pela sua obra. No entanto, o mundo está em batalha constante contra Cristo e sua igreja. Ao aconselhar mulheres que se desviaram dos caminhos do Senhor, vejo as mesmas paixões mundanas dominando os corações delas: amizades e conversas mundanas, filmes de terror ou com cenas imorais, desejo de usar roupas indecentes e sensuais para chamar a atenção dos homens, músicas com letras pervertidas e obcenas, pensamentos e imaginações lascivos, que provocam a autossatisfação por meio da masturbação, ou relacionamentos sexuais ilícitos com algum namorado.
Hoje, os celulares e a internet estão sendo usados como verdadeiras armas mundanas para derrubar as jovens cristãs que se entregam a uma idolatria de relacionamento, escolhendo desobedecerem a Deus e aos pais, trocando a própria família pelos seus amigos do mundo. Isso se torna como uma droga, viciante como qualquer entorpecente ou álcool.
A vitória sobre o mundo exigirá uma decisão de romper claramente com amigos, estilos e hábitos de vida mundanos. Assim como Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15b), temos de priorizar o temor do Senhor acima do temor aos homens, considerar mais valiosa a vontade de Deus do que a dos homens, aceitando, assim, a rejeição daqueles que estão no mundo por conta disso. “A lealdade a Deus nos levará a uma verdadeira liberdade em Cristo”. O pecado nos escraviza!
Alguém que vence o mundo vive além das circunstâncias. Nada e ninguém poderão afastá-la do viver centralizado em Cristo. Isto significa permanecer em paz consigo mesma, ainda que os amigos e as pessoas a desprezarem por servir ao Senhor, suportando com paciência as perseguições. Lutero disse que sofrer perseguições é uma característica inevitável do cristão. Por isso, não é de espantar que as pessoas do mundo, que odeiam Cristo, nos odiarão também. "O mundo que sorri para nós é um lugar perigoso".
Esse combate requererá de nós uma constante autorrenúncia. Abraão é o maior exemplo de alguém que, renunciando a si mesmo, obedeceu a Deus saindo de sua parentela, sem saber para onde ia; abriu mão das terras regadas pelo rio Jordão, para entregá-las ao seu primo Ló; recebendo a ordem de Deus para sacrificar seu único filho Isaque, como prova do seu amor leal, não hesitou em obedecê-lo. Será que temos tido essa mesma fidelidade e lealdade a Deus?
Atualmente, pouco se fala sobre a separação do cristão do mundo. Paulo disse: “Não vos ponhas em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?” Nenhuma! Ou “que comunhão há da luz com as trevas?” Nenhuma! (2Co 6.14).  Ou “que harmonia, entre Cristo e os demônios? (v.15) Nenhuma! Ao contrário, somos exortados a sair do meio deles: “Retirai-vos do meio deles” (17). O que significa que devemos nos retirar do meio da iniquidade, das trevas, dos artifícios satânicos, da vida e do mundanismo do incrédulo.
Querida amiga, talvez você esteja se perguntando: “Como sair, se estou rodeada de pessoas mundanas em casa, no trabalho, na família, na escola e até mesmo na igreja que frequento aos domingos?” Essa é a realidade de todas nós, mas temos a resposta na carta de Paulo aos romanos no capítulo 12 versículo 2. “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. O sacrifício que Deus pede hoje de nós, mulheres cristãs, é uma vida santa (separada) e agradável a Ele. Um estilo de vida que expressa completa devoção e satisfação em Cristo. Não devemos ser moldadas pelos pensamentos feministas do mundo e nem pelos que ditam a sua moda. Podemos encontrar na graça de Deus e em sua Palavra, tudo que precisamos para vivermos, aqui nesse mundo, de maneira realizada e feliz, cumprindo a missão que Deus tem para cada uma de nós, como solteiras ou casadas.
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente”.(Tito 2.11-12)
No próximo artigo continuaremos esse assunto, se Deus assim permitir!



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Um coração transformado



Vivemos num mundo em que cada vez mais nós mulheres temos a tecnologia a nosso favor para otimizar tempo e trabalho, mas mesmo assim, estamos sempre correndo, fazendo muitas coisas e sem tempo para dedicarmos a Deus e a família. Ao voltarmos alguns anos atrás, encontramos uma realidade sem máquina de lavar, com roupas sendo lavadas e torcidas à mão, comida feita em fogão à lenha e roupas confeccionadas pelas mães, que, geralmente, eram as costureiras da família e não costumavam comprar roupa pronta.

As facilidades domésticas atuais, em vez de nos ajudarem a desenvolvermos uma vida mais tranquila, dedicada a Deus, ao marido, aos filhos, às tarefas do lar e às boas obras ao próximo, parecem que são a causa do aumento de atividades no lar e fora dele, resultando em grande ansiedade e perturbação no coração de muitas de nós.

Na Bíblia, em Lucas 10.38-42, lemos uma história interessante que nos revela alguns dos motivos que nos impulsionam a estarmos sempre ocupadas, correndo de um lado para o outro. Jesus estava num certo povoado em Betânia e foi hospedado por duas irmãs: Marta e Maria. Elas ficaram maravilhadas com a visita do Mestre e seus discípulos e por isso, certamente, queriam fazer o melhor. Quem de nós também não ficaria feliz com receber em casa a presença de Deus em carne?

Entretanto, algo desagradável aconteceu durante o tempo em que Jesus esteve com elas. No momento em que Ele aproveitou para ensiná-las, Maria parou todos os seus afazeres e assentou-se aos Seus pés para ouvi-lO; Marta, porém, manteve-se ocupada com os muitos serviços da casa. Ao ver que sua irmã não estava mais ajudando, indignou-se, perdeu o controle emocional e com um sentimento de autocomiseração, atrapalhou o Mestre e questionou se Ele não se importava pelo fato da irmã tê-la deixado sozinha e, seguiu dando-lhe uma ordem: “Mande que ela venha me ajudar”.

Marta demonstrou ainda não ter um coração totalmente transformado, pelo contrário, agiu com ansiedade, egoísmo e orgulho. Queria a presença de Jesus em sua casa, mas não com a motivação correta. A sua inquietação aponta para um temor maior aos homens do que a Deus. Queria impressioná-lo com as coisas que estava fazendo para Ele, revelando com isso o que era mais importante em seu coração, sem perceber o milagre da presença de Jesus e tudo o que poderia aprender com Ele.

Maria já tinha o seu coração mudado e, por isso, sabia que era mais importante interromper o trabalho, colocar de lado as coisas secundárias e dar atenção às palavras do seu Senhor. Ele, sim, era sua prioridade e necessidade naquele momento. Ela não temeu o que sua irmã diria ou faria, mas agiu com piedade e um temor sincero a Deus. 

Jesus não estava tão interessado na super refeição que Marta estava preparando como uma boa anfitriã. Apenas um único e simples prato, sem muita elaboração, seria o suficiente para Ele. Maria, porém, escolheu o excelente e o que tinha maior valor: o alimento que nunca seria tirado do seu coração - o pão da vida!

Querida amiga, que lição importante podemos tirar para nossas vidas!!

Com quem somos mais parecidas: com Marta ou Maria? Qual tem sido nossa prioridade ao acordarmos: Jesus ou nossas preocupações diárias? Confesso que em alguns momentos sou bem semelhante à Marta e dou mais valor ao secundário, desprezando o pouco tempo em que tenho a sós com Deus. É comum ouvirmos e darmos desculpas como: “não tenho tempo”, “hoje em dia a vida é muito corrida” etc. Sabemos, no entanto, que nada disso interfere em nossas decisões ou no que escolhemos como prioridade em nosso coração. Se não decidirmos que o mais importante é ficar aos pés de Jesus para desfrutar da presença Dele, sempre teremos uma vida agitada, ocupadas com muitas coisas e não arrumaremos tempo para desenvolver uma comunhão íntima com Ele.

Como podemos, então, nos tornar mulheres como Maria? Mais dedicadas a Deus, escolhendo o que é necessário e fundamental em vez do secundário? Em Provérbios 3:6 diz: “Reconhece-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas”. A primeira ação importante que tenho aprendido é que logo cedo, quando acordo, eu pergunto a Deus: qual o Seu plano para mim hoje? Depois, invisto tempo para ouvi-lO em Sua palavra. Durante todo o dia, surgem telefonemas e situações em que vou precisar consultá-lo: Senhor o que queres que eu pense ou faça agora, nessa situação ou decisão? O que queres que eu diga a alguém que me feriu com palavras? Qual expressão facial devo ter ao ouvir essas coisas? E muitas outras perguntas...

Não é algo fácil para nós mulheres, que estamos sempre fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, buscarmos primeiramente a Deus antes de agirmos. Entretanto, quando temos o nosso coração transformado por Cristo, vale a pena sempre escolher a melhor parte, pois, com muito prazer, Deus assume o restante e dirige o nosso caminho.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fugindo da Síndrome do PETER PAN




Durante algumas gerações, a historinha do Peter Pan foi conhecida e apreciada como um clássico infantil de boa qualidade. Lembro-me de ter lido muitas vezes em minha infância e depois de contá-la para meus filhos pequenos. Na época, penso que ninguém podia imaginar a sutileza que havia por trás de um lindo conto de fadas.
Contudo, o exemplo do garoto que não queria crescer e que apenas queria se divertir, passou a ser o desejo de muitos adolescentes e adultos da nossa geração. O mundo atual está repleto de pessoas com corpos de adultos e uma estrutura emocional e mental juvenil. Decidiram interromper o crescimento normal para permanecerem garotinhos e garotinhas, só relacionando-se com pessoas mais jovens, cultivando conversas infantis ou inúteis, sem querer assumir compromissos e responsabilidades. Não respeitam as autoridades, por isso, não param nos empregos e sentem-se os únicos donos do seu próprio nariz para fazer aquilo que querem na hora que desejam, mesmo que corram risco de morte. Infelizmente, a maioria deste grupo é de pessoas dependentes dos pais a vida toda (financeiramente ou emocionalmente) para que, desta forma, possam se divertir com amigos em baladas, barzinhos, bebidas, drogas, viagens, ou então, para não fazer nada.
Entretanto, o que poucos sabem, é que a escolha do personagem Peter Pan o deixa defeituoso, antipático, anti-herói e até repelente. Diferente dos outros meninos, que decidiram voltar para casa com Wendy e serem adotados pelos pais dela, Peter não aceitou. Ele não queria  frequentar a escola, ter de trabalhar e parar de brincar como sempre fez. Escolheu, portanto, voltar sozinho para a Terra do Nunca. Na vida real, os resultados não são diferentes, os consultórios psiquiátricos estão cheios de pessoas normais com a síndrome do Peter Pan, tratando as consequências desastrosas e muitas vezes irreversíveis das escolhas infantis que fizeram ainda jovens.
Em nossa vida cristã também podemos ser infectados com essa síndrome terrível quando nos deixamos influenciar pelo modelo acomodado do materialismo desse mundo, sem levar a sério nosso compromisso com Cristo. Nosso contentamento está em apenas ouvir bons sermões aos domingos, fazer boas leituras, ter bons relacionamentos, assistir bons filmes, ouvir boas músicas, ter bons papos, frequentar bons restaurantes, fazer boas viagens com a família ou amigos, usar boas roupas de grifes famosas, enfim, buscamos apenas entretenimentos que nos dão algum tipo de prazer e rejeitamos qualquer tipo de responsabilidade com o reino de Deus e com o corpo de Cristo, que acabam requerendo nosso tempo, dinheiro, ou até mesmo algum sacrifício abnegado.
  Será que esse é o estilo de vida que devemos ter como cristãs que dizem amar a Deus de todo o coração? Todas essas coisas mencionadas são bênçãos de Deus e alegram o coração, mas a nossa vida não deve girar em torno delas domingo após domingo, sem sentirmos um desejo crescente de pensar nas coisas do alto, onde Cristo está. Temos um modelo de maturidade e de crescimento a ser imitado que é do autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2). Ele teve alegrias e bênçãos aqui na terra, mas não as trocou, em nenhum momento, pelo compromisso que tinha com o reino de Deus, ainda que isso fosse levá-lo ao sofrimento e sofrimento de cruz. Ele disse: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo.4.34).
 Alguns sinais são evidenciados quando estamos crescendo de acordo com  J.L.Packer em seu livro “A descoberta da santidade”. O primeiro deles é um contentamento crescente em louvar a Deus, com um descontentamento crescente diante do louvor dado a si mesmo. O salmista clama: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl115.1)
O segundo sinal é um desejo crescente pela bondade e doação e um evidente desprazer por si próprio. Jesus foi bondoso e entregou-se sem limites durante todo o ministério. Na agonia da cruz, Ele orou para que seus executores fossem perdoados (Lc 23.24); pensou em sua mãe, deixando João encarregado de cuidar dela (Jo 19.26,27) e preocupou-se com o ladrão arrependido, prometendo-lhe salvação (Lc 23.43).
O terceiro sinal é uma paixão pela justiça pessoal, com grande desprazer diante da impureza e imoralidade do mundo ao redor. É quando o cristão mostra uma profunda dor por Deus estar sendo desonrando e provocado, quando alguém ou ele mesmo tem comportamento abominável.
O quarto sinal é um zelo crescente pela causa divina, tendo maior disposição de posicionar-se firmemente para vê-la avançando. Davi escreveu: “Bendito seja Deus, rocha minha, que me adestra as mãos para a batalha” (Sl1 44.11). É estar pronto para ser posto na linha da frente da causa divina sem medir esforços.
O quinto sinal é ter muita paciência e boa vontade em esperar em Deus e submeter-se à sua vontade, exercendo uma maneira adulta de petição, modelada pelo exemplo de Jesus no Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”. É reconhecer e aprender com humildade e coragem que tudo que Deus faz é o melhor.
Querida amiga, fomos chamadas para crescer e não para interromper nosso crescimento a exemplo do personagem “Peter Pan”. Que sinais estão sendo mais evidenciados em nossas vidas? Que pensamentos são mais frequentes? De maturidade cristã ou de preguiça e infantilidade mundana? Caso queiramos fugir da síndrome de Peter Pan, temos de seguir o exemplo de humildade e submissão que Jesus nos ensinou, fazendo em tudo a vontade do Pai.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Crescendo para Baixo ( Parte 2)

          Na postagem anterior, vimos que é por meio da pequenez pessoal (humildade = baixo) que a grandeza de Cristo aparece em nossas vidas, isto é, quando diminuímos, crescemos (Pv. 16:18). O apóstolo Pedro também nos mostra que esse crescimento é uma ordem e não uma opção: “Antes, crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe.3:18). Para que obedeçamos esta ordem, é necessário um contínuo arrependimento, um estilo de vida disciplinado.
          Lutero sabia dessa verdade ao declarar em sua primeira tese das 95 colocadas na porta da igreja de Wittenberg em 1517: “Quando nosso Senhor e mestre Jesus Cristo disse “arrependei-vos”(Mt. 4:17), Ele desejava que toda a vida do cristão fosse marcada pelo arrependimento.” É semelhante a uma estrada que tem um sistema de drenagem falho: quando há uma chuva forte, logo ela fica suja, inundada e intransitável. Somente por meio do arrependimento constante e profundo, 
é possível manter a saúde da alma.
         Por isso, o arrependimento deve ser a drenagem diária da estrada que Deus nos chama a percorrer. Ele é vital para limpar a sujeira parada e os detritos de pecados que tornam nosso crescimento estagnado ou interrompido. Você deve estar se pergutando: ”O que é, então, arrependimento? Como acontece?” Bem, de modo nenhum é algo automático ou mecânico, como as regras para dirigir um carro. Arrependimento significa renunciar o mau comportamento que está prejudicando nossa vida com Cristo. Na Bíblia, o termo significa “desviar” ou “retornar”; mudar verdadeiramente os hábitos, pensamentos, atitudes, pontos de vistas, posturas inadequadas e seguir o caminho certo.  
        O arrependimento é fruto da fé, que é um dom de Deus, sendo possível e real somente para os cristãos libertos do pecado e vivificados para e por Deus (At.11:18).
       O processo de drenagem do arrependimento pode ser analisado pelas etapas a seguir:
       Reconhecimento verdadeiro da desobediência a Deus por ter escolhido o errado ao invés do certo. Trata-se de não fazer o jogo de fingir que “nada aconteceu”, ou de “dar desculpas”. Como exemplo, temos Davi que ao adulterar com Bate-Seba, usou seu privilégio real como desculpa para o pecado. Desta forma, Davi não se culpou por mais de nove meses, até que o profeta Natã o repreendeu e o fez compreender que seu ato tinha ofendido a Deus: ”Tu és o homem!”  (II Reis 5:18 ). Esta consciência foi, e é, a semente que germina em arrependimento. Ela não cresce de outra forma, ainda que os especialistas a chamem de “negação”, a Bíblia a classifica como “autoengano” e “convicção do pecado” (Tg. 1:22; 5:16, I Jo 1:18;16:8).
       Um profundo remorso pela desonra causada a Deus e ao próximo – esta é a marca do coração contrito (Sl.51:17; Is. 57:15). Foi o que ocorreu com Davi (Sl. 51:1-4; 15-17) e o filho pródigo, da parábola contada por Jesus. Houve uma profunda tristeza demonstrada ao entenderem que insultaram a bondade e o amor de Deus quando decidiram  errar.

       Pedido reverente pelo perdão divino, purificação da consciência e ajuda para não falhar mais na mesma área. A oração penitente de Davi é um exemplo para nós (Sl 51:7-12), pois demonstra o exercício da fé em Deus, que gera uma real restauração. Jesus ensina qual deve ser a nossa oração: “Perdoa os nossos pecados (...) e não nos deixe cair em tentação” (Lc. 11:4).
      Resoluta renúncia dos erros cometidos em pensamentos e ações para manter-se limpo na maneira de viver. João Batista disse para a elite religiosa: ”Produzi, pois, frutos de arrependimentos”(Mt. 3:8), chamando-os para uma mudança de direção.
       Restituição à pessoa que tenha sofrido perdas materiais e emocionais em virtude de erros cometidos. Zaqueu, o cobrador de impostos, ao tornar-se discípulo de Jesus, retribuiu quatro vezes mais por cada ato de extorsão cometido. Esse é o preço do discipulado!
    
       Querida amiga, como  está sua estrada de santidade? 

     O meu desejo é que ela esteja desimpedida, sem as sujeiras paradas da cobiça, ciúme, inveja, ira, egoísmo, lascívia, maledicência, orgulho, vaidade, impureza, mentira, desobediência aos pais, indignação, más companhias, insubmissão ao marido e autoridades, etc....  do contrário, elas bloquearão o sistema de drenagem e interromperão o seu crescimento espiritual e comunhão com Deus.
     Lembre-se que temos um Deus misericordioso, que está de braços abertos esperando ouvir nosso clamor contrito de perdão e arrependimento (Ap.3:10). 
Fonte: livro A Redescoberta da Santidade de J.I. Packer